MUNDO VIRTUAL: Benção ou Maldição?

10/08/2020


Imagens da Máquina de escrever e do Computador retiradas do site Freepik

Nancy O.Gyhs

Hoje acordei vintage, e comecei a pensar que embora adore o mundo virtual, ao mesmo tempo ele me enlouquece. Embora ele tenha muitas facilidades que antigamente não existiam. Sim sou semi-nova com meus 64 anos de idade cronológica, mas 30 de alma, vinda de um mundo muito diferente do atual, e por falar nisso será que estou vintage ou simplesmente eu estive lá?

Anos 70 onde tínhamos mais pentelhos e menos silicone, e costeletas nos pentelhos. Aonde baixar um arquivo era pegar uma caixa em cima do armário, aonde fazíamos contas de cabeça, aonde tínhamos mais memória mental que virtual, aonde beber era tomar um copo de Coca com 2 gotas de rum, aonde balada era chamar os amigos pra nossa garagem, pegar a vitrola, colocar umas músicas (sim naquele tempo existiam músicas) e dançar, só isso! Eu disse dançar e não se encoxar.

Meu excel era o bom e velho Kardex (eu disse Kardex e não Kardec), onde se fazia o controle de estoque das firmas, era tudo literalmente feito à mão, mas isso embora pareça difícil, para mim que vivi os 2 mundos digo que as coisas eram mais fáceis do que agora, mesmo com tanta tecnologia.

Quando a gente tinha uma idéia, pegava uma folha de papel e simplesmente escrevia ou desenhava, não precisava ligar o computador esperar vários minutos até ele começar a dar o sinal de sua graça, era só pegar e escrever ou desenhar nossa idéia. O papel não travava, não perdia o arquivo, quando a energia acabava ele não sumia, no máximo acendíamos uma vela pra clarear.

A internet deixa a gente tão louca, que uma vez minha filha Dianah, tentou apagar um desenho no papel e começou a apertar o Control z, isso é ao mesmo tempo triste e hilário. E por falar na Dianah, ela tem 36 anos,e também se sente assim, pois nasceu em 1984 antes do advento da internet, e começou a usá-la mais seriamente por volta de 2004, portanto ela viveu 20 anos sem ela como eu, então o grau de comparação é o mesmo, embora vindo de gerações diferentes.

Estamos atualmente com muitos projetos de “animação”, mas é tão complicado que “desanima” a gente, qualquer movimento que quer se fazer tem que se usar tantos programas, edições, atualizações que a gente tem vontade de desistir. Naqueles tempos mais simples era só pegar uma caixa, colocar uma cortininha, fazer uns bonecos de meia e botar a imaginação pra funcionar.

Por falar nisso meu Deus, para que tanta atualização? Parece que certos programas se atualizam à cada minuto, não dá nem tempo de aprender um e já vem o outro novo. Se você é mais novo deve estar falando, isso é porque você não entende o mundo atual, por isso critica.

Primeiro não estou criticando, só analisando, e segundo isso não é coisa do “meu tempo”, mas de um “tempo de minha vida”, pois pelo que eu saiba ainda estou bem viva neste mundo atual, mais viva talvez que muitos jovens, e digo, posso ter um bom grau de comparação, porque vivi nos 2 mundos; se você já nasceu nesse mundo virtual, talvez não vá entender e nem consiga conceber a idéia de que já existiu um mundo sem celulares, computadores e internet e pasme, onde a gente conseguia viver e muito bem.

A vida era mais calma, sem tanto stress, parece que quanto mais tecnológicos ficamos, mais stressados também. As máquinas pelo que eu saiba foram criadas para dar ao ser humano mais tempo, mas o que ocorreu foi exatamente o oposto, mais tecnologia = Menos tempo.
Como dito no texto “Como impor limites na internet”A câmera (maquina) parece roubar nossa alma”,

Aliás esses dois textos, o atual e o citado acima se complementam.
Temos que estar sempre conectados seja à um aparelho, seja à outros seres humanos, e o tempo de silêncio e de encontro com nossa alma fica cada vez menor. Já ouvi pessoas que dizem dormir com o celular embaixo do travesseiro com medo de perder uma ligação. Isso é uma espécie de insanidade moderna, porque não se perde a ligação vinda de fora, mas se perde a ligação vinda de dentro.

Sim, eu uso a tecnologia para trabalhar, mas não sou escrava dela, ela tem que me servir e não eu à ela. Não fico conectada o tempo todo, preciso de espaço para somente “Ser”, pois sei que esse mundo virtual muitas vezes é feito da ilusão do “Ter”.

“Ter amigos, ter posses, ter likes, ter calotas, carros, celulares, ter maquiagens, bolsas e sapatos não sei porque tanto sapatos (não sou centopéia) e ter a ilusão de que muitos olhos observando e ditando como ser e agir dará aprovação e segurança.

Para mim a aprovação e a segurança só podem vir de mim mesma, procuro não depender de comentários que me aprovem ou desaprovem para ser feliz, pois isso é como uma droga, se pararem de comentar volta-se a ser infeliz e depressivo. Para mim é mais importante “Ser”, porque o ter virá por conseqüência da atitude interna.

Como disse antes eu adoro certas facilidades do mundo virtual, da internet como por exemplo o que chamo de nova “Biblioteca da Alexandria”; o Google, onde podemos pesquisar qualquer assunto, de bomba de chocolate à bomba atômica (é só uma questão de opção), onde podemos aprender; adoro aprender; pois entendo que sabedoria é o maior bem que se pode adquirir nesta terra, e a internet proporciona isso.

Outra coisa que adoro é esse intercâmbio de culturas, onde a gente pode falar com alguém, por exemplo da Eslovênia em tempo real, isso é fantástico. E o melhor de tudo podemos trabalhar, criar e ganhar nossa grana em casa no conforto do nosso lar. Como dá pra ver como tudo na vida o mundo virtual tem seu lado bom e seu lado mau, como disse é só uma questão de opção e consciência.

Mas se a gente conseguir ficar um tempo no virtual, mas também um tempo no real, as coisas se equilibram, tudo é uma questão de temperança, pois é no caminho do meio que a gente encontra a Paz.

Tente encontrar esse caminho do meio, nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Só imagine um mundo como o que eu vivi, só tente, desligue pelo menos por alguns momentos as máquinas e fique só com você, restabeleça seu contato com a natureza, com o mundo real só pra variar e depois me diga o que sente.

E pra finalizar cheguei à conclusão que o mundo virtual pode ser tanto uma benção como uma maldição, só depende do olhar que se tem e do caminho que se trilha, está nas suas mãos é só escolher.

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